Durante o aniversário de 182 anos de Jaboticabal, o prefeito municipal José Carlos Hori concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal Tribuna e Portal Tribuna Região.
O mediador da entrevista Rogério Nicola, começou falando sobre os preparativos da festa do Quitute.
De início, abordou a questão da reforma dos arredores da “Estação de Eventos Cora Coralina”, especialmente a troca dos paralelepípedos.
O prefeito Hori foi categórico e afirmou que os preparativos estão de vento em poupa, e já iniciou sua fala, com as criticas que recebeu há 30 dias, onde muitos diziam que ele era um louco em retirar os paralelepípedos da frente do Cora Coralina, bem como que ele iria jogar fora a História de Jaboticabal.
Ao contrário do que muitos falaram, a intenção era melhorar a “História” de Jaboticabal, ou seja, restaurando os paralelepípedos para que eles ficassem mais bonitos e a rua nivelada.
Segundo o Prefeito, a Festa deste ano ficará mais ampla, pois foi adquirido ao lado da Estação de Eventos Cora Coralina, um prédio bastante antigo de quase três mil metros quadrados, onde será instalada a Barraca da Nipo, que é pioneira e tradicionalmente conhecida por todos que frequentam a Festa desde o seu início, tendo assim, um espaço muito privilegiado.
A previsão é que neste local, o ano que vem seja instalada uma creche, que abrigará cerca de 150 crianças.
Na oportunidade, o prefeito disse que a cidade vem crescendo, e faz um convite a todos os jaboticabalenses que comprovem todas as obras e reformas do Cora Coralina, e sem dúvida, a Festa de 182 anos do município.
O entrevistador disse ao prefeito que foi um que se preocupou com a retirada dos paralelepípedos, e confessou que ficou feliz com a atitude do prefeito em se preocupar com a terraplanagem correta do local.
Hori explicou que o local é muito utilizado anualmente, para instalar as barracas para Festa do Quitute e que se gastava muito com tablados para nivelar a rua, portanto, para melhorar o aspecto do local e não gastar um dinheiro desnecessário preferiu investir quase R$80 mil reais para fazer o nivelamento da Rua que agora ficou sem guias e sarjetas, proporcionando uma maior comodidade e modernidade ao local.
O prefeito disse ainda que a restauração foi premeditada, pois, brevemente será instalado ao lado o “Museu do Trem”.
Tribuna – Prefeito Hori, o sr. citou anteriormente a instalação de uma creche onde abrigará 150 crianças, essa creche será permanente?
Prefeito Hori: Sim, a creche será uma construção muito interessante, pois o terreno tem um desnível muito grande em relação à Rua da Festa do Quitute, ou seja, da Praça do Café; ela tem quase quatro metros de profundidade. Faremos uma creche e uma área de lazer para essas crianças na parte de cima e, durante a Feira do Quitute, vamos utilizar essa área de lazer, até porque a Festa acontece no período de férias das crianças.
Tribuna - Prefeito, seu nome já está “gravado” na História da cidade, bem como o dos outros prefeitos, seja pelo bem ou pelo mal, mas já estão todos gravados (risos). O senhor iniciou em 2005 com um orçamento próximo de R$60 milhões, e neste ano há uma projeção de mais de R$170 milhões. O senhor concorda que nada cresceu tanto assim, a não ser o próprio país. O senhor se considera um privilegiado por ter todo esse orçamento para trabalhar?
Prefeito Hori- Eu sempre disse isso, em todos os lugares, sempre vou agradecer antes, agora e depois a Deus. Eu não sei se posso dizer privilegiado, o país viveu e vive um momento muito bom e Jaboticabal é potencializada, e o que faltava dentro da cidade era acreditarmos mais na cidade e nos tornarmos mais arrojados. Por exemplo, observe o que está acontecendo com o nosso comércio, o quanto os comerciantes estão investindo no visual das lojas e quanto o empreendedorismo deles cresceu, porque começou a gerar essa sensação neles, de auto-estima e valorização da cidade.
Tribuna- Isso é claro prefeito, percebemos grandes Redes de lojas na cidade, e é claro, que nenhuma Rede vem para Jaboticabal para perder.
Prefeito Hori- Todas essas grandes Redes, como o Carrefour, por exemplo, fazem uma pesquisa antes de vir à cidade. Eles vem porque Jaboticabal é potencializada e aí nós jaboticabalenses, começamos a entender esse processo, esse lado de potência nossa. Por exemplo, a cidade fala da UNESP como ela merece? A UNESP é a nossa maior riqueza, ela é o maior centro de tecnologia que temos, de capacidade de professores, de funcionários habilitados e nós falamos pouco. Ela é muito potencializada, por isso, a cidade é rica, é forte, só faltava nós acreditarmos nisso. Eu acredito que o meu governo conseguiu trazer um pouco deste estímulo. Acredito muito na nossa cidade.
“Ela é muito potencializada, por isso, a cidade é rica, ela é forte, só faltava nós acreditarmos nisso.”
Tribuna - Sempre falando que a história de uma cidade é contada através de décadas e não através de anos, e nós esperamos que esta aqui, seja um início de décadas de sucesso.
O país como um todo viveu um ciclo muito bom de crescimento, mesmo no ano da crise a nossa economia não chegou a diminuir, ela se manteve. Só que essa questão toda faz com que a cidade receba cada vez mais verbas estaduais e federais. Só que isso exige uma contrapartida do município. O senhor já chegou a rejeitar alguma verba porque não tinha condições de equalizar uma contrapartida do município?
Prefeito Hori - Não, eu acho que jamais faria isso, a não ser que realmente a finança chegue e fale: “Pelo amor de Deus” pare! Mas isso seria uma coisa muito boa. A única coisa é que às vezes as pessoas não conseguem entender e vou dar um exemplo: Eu tenho um compromisso com a Câmara Municipal, de revitalizar aquele prédio do antigo Ministério do Trabalho, entre o Estadão e o posto de atendimento do Saaej.
É um prédio antigo, abandonado há muitos anos. Eu tinha um compromisso com os vereadores de fazer isso, mas o que acontece é que as necessidades de contra partida para outras obras é tanta, que eu tenho que ter prudência para equalizar os investimentos.
Outro exemplo: Nós começamos a fazer a obra, o início de um Anel Viário, que começa na Carlos Tonani, próximo à entrada do nosso Aterro Sanitário, e vai até interligar com o Colina Verde. Está obra está orçada em R$ 1,6 milhões e a emenda parlamentar foi de R$1,25 milhões, ou seja, os outros R$350 mil reais que eu poderia fazer um investimento mas terei de deixar reservado. Então, algumas coisas vou ter que deixar de fazer, para usar o dinheiro como contra partida. São esses os exemplos, mas graças a Deus, nunca tive que abrir mão de emenda.
Tribuna- O Anel Viário que vai ser construído na Carlos Tonani e vai chegar próximo ao prolongamento da marginal, isso já cria uma dependência de uma nova obra, ou seja, a continuação da marginal com duas vias. O Sr. já imaginou isso, será que o prefeito Hori consegue fazer essa obra?
Prefeito: Não, eu acredito que eu tenho que ter o pé no chão, nós temos dois anos e meio de governo, eu preciso terminar muitas coisas que já foram planejadas e delineadas.
Nós temos um problema muito sério na Rua João Maricato, que era para desmembrar fazendo um binário, ou seja, manter a João Maricato e fazer outra do lado da Cohab IV, Jardim Perina e Residencial para diminuir o fluxo de veículos daquele local.
E não consigo, por questões de prazo, montar projetos e toda a preocupação ambiental, para deixá-la regulamentada.
Esse prolongamento exige muito cuidado na área ambiental e sei que isso demora muito. Tenho que ter o pé no chão, pois não posso imaginar que com dois anos e meio, sendo que esse ano “praticamente” já acabou, no sentido político, e não tenho mais como buscar verbas por causa das eleições.
Mas essa continuidade da Avenida vai se tornar um alvo muito interessante e trabalhoso, até porque ela tem uma área de preservação do lado, e nós ainda não sabemos como resolver isso. Ela vai ser um dilema muito grande para ser resolvido aqui na nossa cidade.
Tribuna: Certamente o Sr., desde o prefeito Dayton, deve ser reconhecido como o prefeito que mais realizou obras no município, só que há muitas obras que acabam emperrando, ou seja, paradas, como algumas obras da Spell. Como o Sr. encara essa situação pois se caminhassem estariam até liberando a prefeitura para ações novas?
Prefeito: Até a canalização do Córrego, nós temos que entender que é um cartão de visita do meu governo. Há quantos anos o Córrego Jaboticabal está daquele jeito?
Oito novas pontes, sendo que já foram feitas cinco e temos três ainda pra ser construídas e mais duas que seriam a continuidade da Rui Barbosa com a Maestro Grossi e Ana Ramos de Carvalho com Rua Mimi Alemanha, desafogando toda a Rua dos Trabalhadores que é toda problemática para nós, do ponto de vista do trânsito. Dentro desta logística, seria interessante se a obra já tivesse terminado, mas infelizmente nós dependemos da Empresa.
Muitas pessoas me dizem: “Rompe com a Empresa”. Se eu fosse romper com a Empresa na justiça, eu demoraria quase dois anos para fazer uma nova licitação, ou dar direito para que a segunda colocada assumisse, sendo assim, eu fico “brigando” no bom sentido com o proprietário e os técnicos da empresa para que eles possam dar continuidade às obras.
Mas agora voltaram com a corda toda, e posso dizer que nós tivemos dois problemas muito sérios: muita chuva e, além disso, a empresa teve um problema de ordem financeira. O país teve uma recessão grande, os investimentos diminuíram, os preços de alguns materiais subiram e isso tudo complicou um pouco. Procurei entender a parte da empresa, estou cobrando bastante, e já vemos as obras se desenvolvendo de forma mais satisfatória.
Tribuna: Em seu governo a cidade ganhou novas praças; das já existentes muitas estão sendo remodeladas e estão mais bonitas. No entanto, a Praça Joaquim Batista sofreu intervenções que foram criticadas por algumas pessoas, inclusive entendidas do assunto devido ao fato da descaracterização do projeto original do ano de 1927 feito por um dos paisagistas brasileiros mais importantes, o Reynaldo Dierberger, o mesmo que projetou e executou os jardins do Museu do Ipiranga em São Paulo. O que acontece com esta praça, o que impede que uma das mais antigas praças da cidade, volte a ser o cartão postal que os jaboticabalenses tinham tanto orgulho?
Prefeito Hori : Onde era uma várzea próxima à prefeitura, entre a Tiradentes e a Duque de Caxias, tínhamos um lugar ocioso, cheio de mato, nós fizemos a Praça da Imigração Japonesa, inauguramos no ano de 2008, no centenário da Imigração. No fundo do CDHU, no Jardim Alvorada, próximo à Cohab III e I, estamos construindo a segunda praça que também será da Imigração Japonesa e que terá palco, áreas de show aberta, etc.
Revitalizamos a iluminação da Praça Nove de Julho, dando um aspecto de nova, apesar de que alguns mosaicos e os pisos precisarem ser restaurados.
Outra coisa são os bancos que precisam ser trocados, pois eu acho “horrorosos” aqueles com propagandas, causando um visual ruim para cidade.
Nós temos que pensar nessas questões de poluição visual e não sei por quê alguns administradores deixaram aquilo, eu não sou contra as propagandas, mas em outros lugares, e não em uma praça central. Nós temos ali na Praça da Nove de Julho uma construção de uma cabine, se é assim que eu posso dizer uma “casinha”, com toda sua licença, um “treco” esquisito que se chama ponto de táxi, que para mim parece uma caixa de sapato no meio de uma praça principal. Eu vou mudar isso, só que ainda não deu tempo.
Então, a Praça Nove de Julho não mudou, o que mudou e deu um realce foi apenas a iluminação.
A Praça Pedro Dória também não mudou nada, apenas muita luz. A Igreja Católica de São Benedito foi toda reformada e coincidentemente eu levei luz nova para o local, então ficou bonita, com glamour, Igreja Nova toda pintada, restaurada e a iluminação nova.
A Praça Dr.º Joaquim Batista, esta sim vai passar por uma grande revitalização. Primeiro nós temos um problema muito sério, que são as fezes dos pombos, isso é um caso complicado, é a lei da natureza. Segundo detalhe: outro dia recebi uma crítica de uma pessoa muito próxima da área ambiental, um jovem disse assim: “É prefeito, o Sr. estragou a arquitetura da Praça, o Sr. estragou a história da Praça”.
Então eu fico tentando imaginar esse radicalismo, por que falar que estraguei? Eu quero dizer que antes do meu governo, esses dois percolados estragaram e foram de alguma forma substituídos por tubos de PVC, algumas peças que não eram originais, que no meu governo já estavam estragados. Pode passar por lá agora e ver se a praça não ficou saudável, levantamos as “saias” das árvores para dar mais segurança.
No próximo ano, vou apenas mexer no local de caminhada da Praça e, provavelmente no ano que vem, trocar toda iluminação. A mesma iluminação que eu coloquei na Praça Nova de Julho, Pedro Dória e da Igreja São Benedito serão colocadas na Praça Dr° Joaquim Batista. Essas serão as melhorias a serem feitas, mas tudo fica, por causa da dimensão da Praça que é muito grande, num orçamento na ordem de R$ 1,2 milhão, e por ser muito dinheiro vou ter que dosar isso da melhor forma, provavelmente em duas etapas: primeiro o piso e revitalização da fonte e, depois, provavelmente a iluminação.
Além de tudo isso no centro desta Praça, nós temos um banheiro, que é problemático, ou seja, drogas, prostituição e os moradores sofrem com isso, então é minha responsabilidade. Outro dia eu fui lá e fechei, veio todo mundo e brigou,e mandei abrir novamente. Então fica difícil porque não é um problema tão simples assim de ser resolvido.
“Na Praça da Nove de Julho temos uma cabine, uma “casinha”, um “treco” esquisito que se chama ponto de táxi”
Tribuna: Durante o seu governo o Carnaval de Jaboticabal ganhou notoriedade e projeção regional e a Feira do Quitute ampliou para uma semana com uma organização muito mais sofisticada. Como o Sr. encara a importância destas festas? Como conviver com as críticas de um prefeito que só faz festas ou gosta muito de festas e deixa de lado coisas importantes como a saúde, e que inclusive neste ano recebeu mais criticas devido à dengue?
Prefeito: Convivo com isso com muita tranquilidade, e explico o por que: muitos municípios tiveram a felicidade de ter pouquíssimos casos de dengue, graças a Deus, porque eu passei por isso e sei o quanto é difícil. Não é pelo fato de receber crítica, é pelo fato de ver a dor da pessoa. Eu não sabia que um mosquitinho tão pequeno provocava tanta dor.
Na nossa região, tirando o caso excessivo de Ribeirão Preto, os outros pequenos municípios ou do tamanho do nosso, nenhum fez ambulatórios para tratar especificamente a dengue e contratamos emergencialmente médicos novos e enfermeiros, para nos socorrer nesse momento.
Eu aproveito para deixar aqui o meu agradecimento ao exemplo da Draª Silvia Stéfani, uma pediatra de primeira grandeza, que se prontificou não só como profissional, mas solidária ao município, trabalhou, se empenhou, se dedicou por quase três meses .Isso é o diferencial do nosso município.
Outro exemplo simples é quando um filho nosso faz aniversário, todos nós gostamos de comemorar e quero deixar claro, que enquanto eu estiver aqui, eu vou comemorar em alto estilo a Festa de Jaboticabal, porque não é só comemorar 182 anos, é dar oportunidade para todas as barracas que estão lá, e que são instituições sociais, de ganharem dinheiro. Há pessoas que chegam ao absurdo de falarem: “Hori, aquele dinheiro que você investe, dá para as instituições”. Não vejo desta forma, pois você deixa de fazer elas trabalharem e, muito pelo contrário, você precisa estimular essa instituição crescer.
A hora que ela trabalha, ela consegue mais voluntários, se unem mais, trabalham mais, ou seja, tudo isso revitaliza a área social de Jaboticabal, por isso a Festa do Quitute tem todo esse brilho. Desde 2005, quando assumimos, ano após ano temos uma novidade. Podem lembrar isso: nunca houve aquela tenda do lado de fora, a Nipo foi a maior parceira nossa em todas as edições, em todos os momentos nós pedimos para eles mudarem.
Eu tenho gratidão à Nipo, por ela ter sido parceira do governo todos esses anos. Fica aqui o meu reconhecimento, aproveitando a audiência do Jornal Tribuna.
Enfim, eu acho que Carnaval é uma festa, um folclore, um momento de alegria, onde a metade da população, um pouco menos ou um pouco mais, adora o evento e foi muito bom revitalizar esse momento festivo. Faço, e faço mesmo, pois eu tenho uma verba destinada na área da cultura, área do lazer e do esporte que apesar de pouco nós estamos fazendo, graças a Deus, todas as festas com qualidade, que Jaboticabal merece.
“Eu não sabia que um mosquitinho tão pequeno, provocava tanta dor nas pessoas”
“Faço, e faço mesmo, todas as festas com a qualidade que Jaboticabal merece.”
Tribuna: Na entrevista que fizemos, em julho de 2005, O Sr. falou que o Distrito Industrial seria um presente de aniversário para a cidade. Entretanto, o Sr. já nomeou vários secretários para a pasta que cuida deste assunto e após muito investimento, não há ainda previsão concreta de instalação de nenhuma empresa. Quais as razões disso, haja vista, que esta foi a sua principal promessa ainda no primeiro mandato?
Prefeito: Eu vou falar de uma forma bem política, porque o político não vive ou não sobrevive sem voto. Imagine se antes de 2008 eu conseguisse edificar novas indústrias lá, eu seria eleito ainda com mais facilidade, porque isso é tudo que a população de Jaboticabal mais espera.
É importante que todos saibam, que um instituto chamado IFAN, eu não sabia que existia um instituto tão forte, há um ano e meio mais ou menos, praticamente interditou o nosso Parque Industrial porque eles acreditam que ali tenham uma ramificação com a geologia de Monte Alto, proibindo assim qualquer tipo de edificação na área.
Após quase um ano de luta jurídica, indo para São Paulo resolvendo, nós conseguimos pagar R$14 mil reais para uma empresa, montar um laudo liberando a construção e que desta forma eu possa chamar os empresários interessados e a partir daí eles assumirem o seu trecho de terra e começarem a edificar.
Só para vocês entenderem, aparece um instituo que eu nunca ouvi e barra um ano e meio o nosso desenvolvimento.
“político não vive ou não sobrevive sem voto.”
“Só para vocês entenderem, aparece um instituo (o IFAN) que eu nunca ouvi e barra um ano e meio o nosso desenvolvimento.”
Tribuna: Tem coisas que vem com dificuldades maiores. Teve alguma coisa que o Sr. recebeu assim com mais facilidade do que esperava?
Prefeito: Tem sim. A prefeitura está construindo o laboratório da Fatec, isso eleva a auto estima do município. Jaboticabal nunca teve ETEC (escola técnica), hoje nós temos. Nós nunca tivemos FATEC (Faculdade de Tecnologia) e hoje nós temos, e isso tudo, o que é mais interessante, gratuitas. Nós estamos construindo com dinheiro nosso, R$900 mil, o laboratório, do lado da duplicação que fizemos na Jaime Ribeiro. Ali vai ser a nova Faculdade, só que essa faculdade ficará em R$2,4 milhões.
De onde vou tirar esse dinheiro? Nós fizemos uma articulação com o professor Raul, nosso vice e deputados para conseguirmos isso. Foi um fato fantástico, pois o governo iria entrar no período de eleição, fui para São Paulo e o Reitor da UNESP, o professor Herman, tinha que assinar esse convênio.
Ele assinou da noite para o dia para ajudar Jaboticabal e nós conseguimos isso em tempo recorde, assinamos o convênio e no dia seguinte, R$2 milhões de reais já entraram na nossa conta.
Essa foi uma conquista rápida.
Tribuna: Em Jaboticabal sempre houve críticas às administrações do PT por trazerem gente de fora para estar à frente de importantes secretarias. O Sr. Lutti e o Sr. Cláudio Almeida também são criticados por serem de fora. Qual a sua opinião sobre isso e também sobre o desempenho deles?
Prefeito: O primeiro que eu acho que é o bom na política, é que quando a gente aprende a não jogar muita pedra, porque quando a gente joga pedra, um dia o mundo dá voltas e a gente vê o nosso telhado ficar exposto.
Eu nunca, enquanto vereador, fiz esse tipo de crítica, nunca peguei um microfone para criticar alguns dos secretários do governo que me antecedeu, porque era de fora. Por exemplo, o próprio candidato da época, que concorreu comigo no primeiro governo era de fora, eu nunca critiquei, porque como técnico ele era muito bom. Mas ele não era daqui e o que se comentava muito é que tinha outros secretários que não moravam aqui. Aí ficava difícil, você procurava e não encontrava a casa da pessoa.
Então, da mesma forma que o outro governo tinha e até foi candidato a prefeito, eu trouxe pessoas de fora competentíssimas. O Cláudio foi por onze anos assessor do deputado Geraldo Vinholi, ele conhece tudo em São Paulo, então ele me levou em todos os lugares e as coisas ficaram mais fáceis, pois fiquei mais conhecido e me deu acolhimento nos lugares.
E o Lutti também a mesma coisa, muitos anos foi assessor de deputados, faz com que me abram as portas de vários setores. Eu só ganhei com isso. Nós estamos trazendo pessoas de fora e sou responsável por isso, e se não forem boas ou se não se comportarem bem, saem do meu governo. Mas com certeza absoluta, só me ajudam, pela competência. Lealdade na política é muito importante.
“Lealdade na política é muito importante.”
“porque quando a gente joga pedra, um dia o mundo dá voltas e a gente vê o nosso telhado ficar exposto”
Tribuna: A câmara rejeitou as contas da ex-prefeita Carlota por um problema no percentual de aplicação de recursos na educação. Agora, suas contas foram aprovadas por maioria de votos tendo problema semelhante. Como o Sr. analisa isso?
Hori: É difícil falar pelo outro governo, mas a semelhança do antigo governo ter as contas rejeitadas e as minhas contas de 2007 são praticamente as mesmas.
No meu caso o Tribunal de Contas glosou o meu investimento, para que todos possam entender o que é glosar: Por lei nós somos obrigados a investir no mínimo 25% do orçamento em educação.
Nós investimos, a nosso ver, 25,60% e o Tribunal glosou dizendo que tínhamos gasto pouco mais de 23%: Por que? Na Ponte Seca nós temos uma creche, chamada Manoel Gonçalves, e reformamos com o dinheiro da educação uma quadra que é interligada à creche, pois as crianças passam todas as manhãs e tardes lá dentro.
É claro que no final de semana outras pessoas utilizam a quadra e por isso o Tribunal entendeu que ali não era um gasto em educação e glosaram esse investimento e, se não me falha a memória, também não consideraram o gasto com uniforme escolar. Com esses investimentos não sendo considerados em educação nós tivemos as contas rejeitadas.
A única coisa que acho ser diferente ao antigo governo é que nós mandamos toda a nossa equipe técnica e jurídica para sentar com a comissão de finanças da Câmara Municipal para explicar para todos os vereadores item por item, ou seja, fizemos uma defesa muito bem feita. Agora algo que posso deixar aqui a minha palavra foi que eu, prefeito Hori, não fiz uma ligação ou qualquer tipo de pressão, pois eu queria que os vereadores aprovassem por estarem convencidos tecnicamente e juridicamente do erro que o tribunal cometeu.
E em todo esse processo o que fez ficar triste foi que apenas dois vereadores votaram contra simplesmente por votar contra. É por isso que os municípios perdem, pois temos de ter maturidade para entender o que está acontecendo. Quero ver quando voltarem as contas antigas de outros governos como eles irão se posicionar. É simples, pois quero ver a postura moral deles agora.
“É simples, pois quero ver a postura moral deles (vereadores que votaram contra as contas da administração) agora.”
Tribuna: E falando da Câmara Municipal, essa que está é sua Câmara, que apesar de terem algumas pessoas que foram reeleitas houve uma renovação. Como o Sr. observa a atual Câmara Municipal. Quais as principais diferenças com a anterior?
Hori: São Câmaras bem diferentes. Na antiga Câmara, no meu primeiro mandato, nós tivemos apenas uma mesa diretora com o Edu Fenerich como presidente. Manteve-se um único princípio para a condução dos trabalhos que para mim foi excelente, pois ele atuou muito e me ajudou.
Essa atual é bem mais heterogênea no sentido administrativo, pois já se sabe que em 2010 encerra-se o mandato do Mauro, que vem trabalhando de uma forma fantástica querendo mudar e fazendo alguns aprimoramentos. Entretanto, já se sabe que teremos uma nova eleição para mesa, pois acabaram com o processo da reeleição e agora eles querem ter uma nova mesa para a Câmara. Então, é uma forma diferente de ver e conduzir as coisas desse grupo.
Tribuna: O Sr. Tem mais dificuldades com a atual ou tinha com a anterior?
Hori: Não sei dizer quanto às dificuldades, porque Graças a Deus eu nunca tive de fazer votações muito difíceis. Por exemplo, vocês já imaginaram se eu tiver que ir para a Câmara Municipal aumentar o IPTU? Estou falando aumentar e não reajuste de inflação.
Se isso acontecer tenho certeza que não tenho voto, hoje não tenho base e votos suficientes. Mas eu não tenho diferenças e acabo me dando muito bem com os vereadores. Eu falo que alguns só não se dão melhor comigo porque eles dificultam. Entretanto, é importante ressaltar que a Câmara Municipal tem me ajudado e colaborado muito com o município e esse ano existe a probabilidade de volta de recursos financeiros para a prefeitura. Afirmo com toda a certeza que a Câmara Municipal será fundamental para as economias do município.
“(Na câmara) não tenho voto, hoje não tenho base e votos suficientes”
“alguns (vereadores) só não se dão melhor comigo porque são eles que dificultam”
Tribuna: Quanto será que a Câmara devolve ao executivo esse ano? Será que chega a R$ 1 milhão.
Hori:Eu acho que chega a R$ 2 milhões!
Tribuna: Cada vez mais a gente percebe que o Sr. se desenvolve politicamente em outras esferas. O Sr. já se acredita credenciado a disputar uma eleição para deputado?
Hori: Acho que o “credenciamento” é algo natural da forma que você conduz o executivo e os seus compromissos. Como exemplo, assumi o comitê de bacias do Rio Mogi Guaçu e como fui reeleito já estou há quatro anos á frente do Comitê e isso nos dá uma visibilidade com outros 43 municípios.
Como exemplo dessa “aproximação” nós conseguimos, com ajuda de deputados, uma audiência com a Secretária de Estado de Energia a Sra. Dilma Pena. Ela nos atendeu para fazer o plano de saneamento do Estado. É algo que é até difícil ter a noção exata.
E nesse contexto os outros prefeitos ficam sabendo dessa iniciativa e todos os outros 43 municípios serão beneficiados com esse grande plano estadual de saneamento. Isso são conquistas que, de alguma forma, acabam nos credenciando pelo menos com credibilidade e respeito.
Recentemente, logo após as eleições, fui visitar algumas cidades pequenas e de prefeituras que estavam com seus maquinários todos quebrados em um ano muito chuvoso como foi em 2009. Eu fiquei sensibilizado com o problema e de final de semana eu encaminhava a nossa Patrol (máquina para terraplanagem) e o operador.
Essa prefeitura pagava os gastos da máquina e as horas extras para o funcionário. Isso é o mínimo que posso fazer, pois se fosse eu que estivesse na situação daquele prefeito eu ficaria feliz se ele fizesse isso por nós. Todas essas ações criam um vínculo da amizade e respeito que desfruto. Entretanto, eu não penso em ser deputado, pois as coisas acontecem na minha vida de uma forma bem natural e se isso for para acontecer lá na frente, a gente pensa nisso.
“eu não penso em ser deputado... e se isso for para acontecer lá na frente, a gente pensa nisso.’
Tribuna: E falando em deputados, como estamos dentro de uma eleição, teremos vários candidatos aqui na Feira do Quitute desse ano. Em sua opinião, como a cidade deve receber esses candidatos? Não é ruim para a cidade ser apenas o local transitório para os deputados colherem alguns votos e que aqui nunca será o principal reduto eleitoral desses candidatos?
Hori: Sem dúvida é uma pena não termos um candidato. Olhando a eleição como um todo, sou favorável ao voto distrital, pois isso é uma coisa fundamental para Jaboticabal e todos os municípios do nosso país.
Para quem não sabe, o voto distrital é quando um candidato é credenciado a ser deputado por uma região e esse deputado só terá votos nessa região e depois de eleito ele teria, obrigatoriamente, que ajudar mais esses municípios. Hoje isso não acontece e um deputado que fosse eleito por Jaboticabal poderia ser solicitado a resolver um problema lá no Pontal do Paranapanema.
Agora voltando a pergunta, posso afirmar sem medo de errar que sem uns cinco ou seis deputados nós não teríamos conseguido nem a metade dessas obras que vemos em Jaboticabal. Sendo assim, vale afirmar que alguns deputados nos ajudaram muito e devemos recebê-los com carinho e respeito, ou seja, como uma pessoa que é de fora, mas que ajudou muito a nossa cidade. E não vou dizer nomes por causa do período eleitoral, mas entendo que devemos recebê-los bem e retribuir a ajuda que tivemos.
“sem uns cinco ou seis deputados nós teríamos conseguido nem a metade dessas obras que vemos em Jaboticabal”
Tribuna: Pensando na cidade daqui há 10 anos. O que O Sr. considera que será uma prioridade para os próximos governantes que o Sr. não conseguirá ou não terá tempo de realizar?
Hori: Pretendo, e vou fazer isso, semear uma semente das mais bonitas e férteis que nós temos em Jaboticabal, pois muito antes de estar prefeito, eu falo do valor da UNESP.
Eu conversei com o Raul Gírio (vice prefeito e Diretor do Campus Jaboticabal) e essa semana é para fazermos uma reunião com a congregação e alguns professores da UNESP, pois eu quero iniciar uma coisa chamada: Parque Industrial de Tecnologia.
Isso será um local onde a prefeitura entrará com a estrutura física e a UNESP com a capacidade técnica para habilitar empresas de tecnologias para serem instaladas nesse local.
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